
S03EP75 - Quando a gente guarda a capa do herói
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A primeira vez que eu senti aquela frustração eu tinha uns dez anos. Eu estava brincando na gangorra e sopraram no meu ouvido que a Gabriela tava chorando. Antes de entender exatamente o motivo, eu saí correndo, largando a minha brincadeira, e fui ao encontro dela, decidida a “resolver” aquela tristeza. Ela tava sentada no banco da quadra e me contou que tinha brigado feio com o irmão e, por isso, tava muito triste. Eu ouvi tudo e despejei todas as boas palavras que eu tinha para cumprir a missão Impossível que eu me dei antes de descer do balanço: arrancar um sorriso do rosto da Gabriela. Mas mesmo depois de me sentir esgotada, ela ainda continuou triste e eu, de um jeito novo, frustrada. A minha versão de dez anos não sabia, mas a mesma cena aconteceria algumas vezes anos mais tarde para que eu percebesse o lado não dito da jornada dos heróis: eles não reconhecem os próprios limites.
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